Em tempos de COVID-19, o leite materno continua sendo o melhor alimento para o recém-nascido. Promover essa conscientização é papel de todos nós

Por Letícia Martins, Revista Femina (Febrasgo)

O que pode querer um bebê que acabou de chegar a este mundo em meio a uma pandemia causada por um vírus novo ainda coberto de mistérios? Certamente, mamar. E o que pode fazer uma mãe pelo presente e pelo futuro desse recém-nascido?

Acertou se você respondeu que ela deve amamentá-lo exclusivamente com o leite materno até os 6 meses de vida e como complemento até 2 anos ou mais, sem limite definido. Ou seja, a recomendação da organização Mundial da Saúde (OMS) e das principais instituições médicas, entre elas a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Federação Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia (Febrasgo), tem sido a mesma das últimas décadas, pois, como explicou a médica obstetra Silvia Regina Piza F. Jorge, professora e chefe do Setor de Gravidez de Baixo Risco da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), “o leite materno é considerado o instrumento mais eficaz e acessível economicamentepara combater a mortalidade infantil”.

E estamos precisando mesmo desse alimento de ouro. Na última década, o Brasil teve uma melhora nas taxas de aleitamento materno, porém o país ainda está muito longe de atingir a meta para o ano de 2025, que é ter pelo menos 50% das crianças amamentadas exclusivamente com o leite materno até os 6 meses de vida. “Atualmente, a taxa brasileira nesse quesito gira em torno de 38%. Ela já foi mais baixa, mas ainda não está dentro da meta  estabelecida para 2025. Por essa razão, as campanhas de conscientização promovidas pelo Governo, sociedades médicas e diversas instituições são importantes para que a mulher se sinta apoiada e incentivada”, analisou Silvia.

Por isso, investir em ações de conscientização sobre a importância do aleitamento materno para o bebê é atuar na remissão desses dados. “O leite materno é repleto de vantagens para mãe e filho. Ele é capaz de proteger o bebê e fortalecer as defesas do organismo, entre tantos outros benefícios”, destacou a Dra. Silvia, atual presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) em Aleitamento Materno da Febrasgo.

Mesmo com tantas vantagens claras da amamentação, muitas mães enfrentam desafios diários para ofertar esse alimento nutritivo ao filho. Falta de estímulo ou apoio, falta de conhecimento a respeito da amamentação, medo de sentir dor, vergonha ou embaraço diante de uma possível exposição pública, além de questões sociais, econômicas e de políticas de saúde, são alguns dos motivos que podem dificultar a adesão das mães que amamentam, manter o aleitamento até 6 meses ou mais após o parto.

Uma dessas barreiras infelizmente ainda é bem visível na sociedade brasileira: o preconceito. Parece absurdo que algo tão natural quanto alimentar o próprio filho possa ofender alguém. E chegamos ao ponto de que o direito de amamentar em público, em espaços coletivos ou privados tornou-se lei (Lei Nº 16.396) em nosso País, passível de punição nos casos de constrangimento da mãe que amamenta o filho. Então, que fique bem claro que amamentar não é crime, mas o preconceito é.

Leia matéria completa no link: https://www.febrasgo.org.br/pt/femina/item/1114-revista-femina-2020-vol-48-n-08

 

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