Apesar de ser um tema ainda pouco discutido no Brasil, estudos indicam que cerca de 88% das mulheres acima dos 40 anos experimentam mudanças fisiológicas importantes associadas ao climatério e decorrentes da falência ovariana fisiológica. O climatério compreende a fase de transição menopausal, menopausa e pós-menopausa. De acordo com a médica ginecologista, Elvira Mafaldo, os primeiros sintomas associados são as modificações do ciclo menstrual quanto ao intervalo e volume de sangramento seguidas das manifestações vasomotoras (fogachos), e, mais tardiamente, as queixas da síndrome uro-genital Outras queixas importantes acompanham o climatério , como distúrbios do sono e humor, palpitações, assim como aumento do risco para osteoporose e do risco cardiovascular.
“No período, desde a transição até a pós-menopausa, a falência ovariana é progressiva. Na transição, os ciclos são na maioria das vezes anovulatórios, porém já cursam com hipoestrogenismo e suas consequências. A denominada síndrome climatérica inclui um conjunto de sinais e sintomas resultante da interação de fatores endócrinos, socioculturais e psicológicos, e assim os sintomas tendem a ser diversos”, destaca a especialista.
O papel do ginecologista
Assim como em outras fases características do período reprodutivo feminino, muitos questionamentos surgem durante o climatério. Neste sentido, a ginecologia desempenha um papel fundamental. “Mulheres após os 40 anos necessitam de orientações específicas quanto à prevenção de doenças e promoção à saúde. Assim, a consulta médica é uma oportunidade para elas relatarem as principais queixas, rastrear doenças crônicas e neoplasias, bem como, o momento de definir a terapêutica adequada e individualizada para cada paciente”, informa Elvira Mafaldo.
Além disso, Robinson Dias, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (Sogorn), destaca a importância do acolhimento e da humanização durante o atendimento. “Ouvir atentamente as preocupações das pacientes, validar suas experiências e oferecer uma abordagem personalizada e compassiva são atitudes que fazem toda a diferença na qualidade do cuidado prestado”, pontua o presidente da Sogorn.
Para destacar a importância da mulher durante o climatério, a 36ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte, marcada para ocorrer em Natal nos dias 08 e 09 de agosto, contará com uma mesa redonda especial, composta pelos renomados médicos ginecologistas Cristina Ham (RN), César Eduardo Fernandes (SP) e Marcelo Luis Steiner (SP), e mediada pela Dra. Elvira Mafaldo (RN). “A Jornada é um espaço fundamental para discutir questões contemporâneas e relevantes, como o climatério feminino, abrindo possibilidades de reflexões aprofundadas sobre os desafios enfrentados pelas mulheres nessa fase da vida”, destaca Robinson Dias, presidente da Sogorn.